Projectos


Introdução à Publicação Recente do Livro: "Escola Católica na Europa, esperança para o futuro", de vários autores, de entre os quais alguns dos maiores especialistas europeus. O Livro tem cerca de 100 páginas e é uma edição do SNEC, com data de Junho de 2004.

Ao participar num Seminário dos bispos europeus responsáveis pela área eclesial da Escola Católica, pude verificar a força e a esperança desta instituição nos vários países da Europa e tomar consciência da nossa pobreza, tanto a nível do número de escolas e de percentagem de alunos, como da falta de apoio estatal, como ainda da escassa reflexão sobre a identidade e a missão da Escola Católica. Apesar de sermos considerados um país tradicionalmente católico, neste campo estamos muito longe de outros países da Europa, reconhecidamente laicos, onde a Escola Católica tem um estatuto apreciado pela população em geral, não só católica, alcança uma considerável percentagem de alunos e recebe do Governo apoio igual ao das  escolas públicas. Deste modo, nestes países europeus, é verdadeiramente reconhecida a liberdade religiosa, pois permite-se aos pais escolherem livremente a escola em que confiam para educar os seus filhos. O que não acontece entre nós, portugueses. Parece-me, pois, muito útil a publicação destas intervenções, realizadas no referido Seminário, em ordem a amadurecer a reflexão sobre a identidade e o estatuto da Escola Católica. Precisamos de tomar consciência deste problema e criar uma opinião pública mais exigente dos direitos dos pais e educadores em relação à liberdade de ensino.

Uma primeira nota comum às Escolas Católicas é a preocupação pela qualidade da educação. E quais os educadores que actualmente não sentem esta preocupação? Em que consiste a qualidade de educação? No facto de terem como objectivo não só uma pers-pectiva utilitarista de ensinar as matérias obrigatórias, alcançar boas classificações e formar profissionais para exercer uma profissão. Embora procurem também e alcancem este objectivo, as Escolas Católicas prestam não menor atenção à formação dos alunos nos valores éticos, na cultura humanista, na relação comunitária, no ideal cristão. A qualidade da educação tem em vista, na verdade, o desenvolvimento global da pessoa na riqueza de todas as suas dimensões- profissional, pessoal, social, ética, estética, espiritual. A actual crise de verdade sobre o homem que leva a uma visão reduzida da pessoa, como afirma o Papa João Paulo II, conduz ao relativismo ético e jurídico, ao vazio interior, à perda de significado da existência (Exortação Apostólica "Ecclesia in Europa", 8). A Escola Católica oferece uma resposta para superar esta situação que afecta fortemente os jovens através da educação pautada pela fidelidade criativa à tradição humanista e cristã que garante o primado dos valores éticos e espirituais ( Cf E in E, 12). Esforça-se e consegue proporcionar uma formação global.

Outra nota da Escola Católica é a qualidade da relação que procura criar entre os professores, destes com os alunos e com os pais e educadores. Tem em vista formar uma comunidade educativa entre todos os que estão envolvidos na escola, promovendo a colaboração de todos na realização do projecto educativo. A relação comunitária é fundamental na fé cristã, que é uma proposta de vida fraterna na caridade, aberta a todos e no serviço ao próximo. Deste modo, pode contribuir para vencer o grave individualismo e dificuldade de relação que marca a nossa cultura. Esta nota comunitária implica naturalmente uma pedagogia de proximidade, dedicação e corresponsabilidade de todos pelo bom ambiente da escola. A qualidade de relação torna-se naturalmente um estímulo para um melhor rendimento em resultados positivos.

A Escola Católica não é neutra. É inspirada na visão cristã da pessoa e da sociedade que, ao longo de séculos alicerçou a nossa civilização europeia - a dignidade da pessoa humana, o caracter sagrado da vida, a fraternidade universal, a convivência pacífica, o serviço ao bem comum. Estas convicções, que estão na base da identidade da Escola Católica leva-a a abrir as portas a todas as pessoas, independentemente do seu credo ou condição social. Católica significa universal e esta universalidade está também presente neste projecto. Poderá haver educação sem referências, sem projecto, sem valores? A pretendida neutralidade de alguns não esconde um laicismo anti-religioso que se arvora numa nova religião, sem respeito por opções diferentes?

Os pais têm direito a uma educação de qualidade para os seus filhos. O Estado deve criar condições para que eles possam escolher livremente o projecto de educação que desejam. As intervenções que integram esta publicação mostram claramente este direito e esta necessidade. É uma convicção que precisamos de amadurecer e fundamentar entre nós.

Lisboa, 27 de Abril de 2004

Manuel Pelino Domingues
Bispo de Santarém e
Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã



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